Padre Joacir d’Abadia traz sua genialidade com as palavras em O Silêncio de um Pensador: a Morte de um “Imortal Vivo”

O Silêncio de um Pensador: a Morte de um “Imortal Vivo”

O mundo inteiro, quando passa por grandes derrotas e desastres, usa do “Um minuto de silêncio” para recordar o quão desastroso é o acontecimento. É, todavia, a expressão para um período de contemplação, oração, meditação silenciosa e reflexão. Similar a isso é o ato da bandeira hasteada em meio mastro. O minuto de silêncio representa também um respeito, e se tratando de mortos, significa o luto com aqueles que participaram desse evento trágico. Quando não se refere ao luto faz seu silêncio como respeito pela gravidade do fato.

O mundo faz silêncio frente aos grandes desastres ocorridos contra a humanidade. Pede-se este respeito em rádios, TVs, durante as partidas de futebol, em repartições públicas, Igreja, empresas, nas mídias sociais e em qualquer outro tipo de agremiação. Todas as pessoas podem ser chamadas para compor o “minuto de silêncio”, assim que a situação se faz urgente. Você, porventura, já participou ou presenciou este ato de respeito? Sim eu já pratiquei um silêncio reflexivo e me recordei de tudo que vivi e estou vivendo neste “Tempo Pandêmico”. Recordei, principalmente, do sofrimento que cada pessoa enfrenta com esta pandemia.

A história não mente, ela faz brilhar os humildes! Tive que quebrar meu silêncio com a tentativa de ver florescer a paz, o respeito e a diferença que nos unem! Este rompimento do silêncio, no mínimo, representa a tentativa de ver os pensadores produzindo e expondo suas obras, pois tenho certeza de que “jamais poderia deixar acontecer: silenciar os filósofos nas suas mais variadas formas de pensar; expor o que o que pensa; dar vida ao que foi pensado e defender seu pensamento como uma forma de liberdade de expressão. Tirar a liberdade de um pensador e seu direto de pensar é a maior forma de ditadura intelectual.

Quero aqui romper com o silêncio, pois estamos vivendo um tempo pandêmico que deixa sequelas irreparáveis na vida psíquica, emocional e espiritual das pessoas. O filósofo Zygmunt Bauman (1925-2017) versando a respeito da “modernidade líquida”, diz que os relacionamentos interpessoais estão se tornando cada vez mais descartáveis. Diante disso, também os valores são invertidos, eles são revertidos de uma roupagem teatral, pois um ser humano quer fazer do outro ser humano apenas um ator de suas ideias, esvaziando, assim, a sua humanidade. Deste modo, qualquer coisa vai ter mais valor que a vida de um ser humano. Se se tira o humano, fica apenas uma coisa. Com a “Modernidade Líquida”, “a coisificação da pessoa” (Riqueza da Humanidade. Editora Biblioteca 24 horas, 2014) fica mais patente à medida que os objetos e as coisas ganham mais expressividade que os próprios homens.

Amanhã o sol vai nascer, vai trazer o brilho para os nossos olhos, vai encher nossa vida de esperança, mas se você silenciar hoje, amanhã, quando quiser expor seu pensamento, sem medo de agradar esta ou aquela pessoa, você será excluído? Não. Você será valorizado na sua forma de pensar. Espero que ninguém precise ser excluído ou tolhido porque propõe uma reflexão. Que a liberdade de expressão e a diversidade de pensamento sejam respeitadas!

Por fim, me silencio ainda mais pois numa reflexão de Charles Chaplin chamada “O Caminho da Vida”, vinha este excerto: “Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. Que o meu “minuto de silêncio” valha como inspiração para todos os pensadores não se calarem, ao contrário, justamente neste tempo pandêmico se fazem urgentes as sólidas reflexões.

Padre Joacir Soares d’Abadia, filósofo, autor de 15 livros, Especialista em Docência do Ensino Superior, Bacharel em Teologia e Filosofia, Pároco da Paróquia São José Operário Formosa-GO/Diocese de Formosa-GO.