Tudo é pequeno para o homem quando ele não enxerga a grandeza de si mesmo

A angústia de se ter tudo

Será que todas as pessoas têm a sensibilidade de enxergar como falam umas com as outras? Como demonstram o quanto cada uma carrega de responsabilidade dentro do peito? Veja bem! Até mesmo para pedir que se pegue um copo d’água precisa ser sutil, pedir, por exemplo, “por favor” ou até mesmo quando recebe dizer “obrigado”. Pela empatia que estas palavras podem gerar em cada pessoa, elas conseguem representar uma total impregnação de responsabilidade em que uma pessoa tem para com a outra.

“olha, parabéns pela sua refeição!”

Não é falta de respeito também olhar para a refeição de outrem e dizer que ela está comendo muito ou pouco. Não. Ninguém vai fazer isso, apenas olhar o prato de comida e recriminar a pessoa. Você vai dizer com toda educação que recebeu: “olha, parabéns pela sua refeição!”. Assim vai seguindo a vida de cada um. Se uma pessoa tem o interesse de comer salada, que coma salada; se a pessoa tem interesse em comer carne, que coma carne, mas de forma que, o que não pode deixar de existir é o respeito para com um e para com outro; respeitar quem come salada e respeitar quem come carne, e também respeitar quem gosta de comer pouco porque é nessa sutileza que nós vivemos. O homem vive, no entanto, sempre marcado por um respeito que vai além da própria pessoa; é como um respeito que fere a dignidade da verdade de cada um.

Nós nos tornamos chatos

Mas até onde vai este respeito? Nós podemos perguntar! Cada um pode perguntar até onde vai o respeito para com o outro. É muito difícil mencionar a questão do respeito quando alguém, ao falar demais ou repetitivas vezes, se torna uma pessoa chata. À medida que tentamos ensinar às pessoas, nós nos tornamos chatos, nos tornamos repetitivos ou mesmo quando queremos ensinar muito, nos tornamos pessoas moralistas. Tiramos a moralidade do outro e colocamos nele a nossa moralidade. Assim acontece quando deixamos de respeitar a sua individualidade e a sua dignidade. Quando falamos sobre dignidade, tratamos sobre o grande respeito pela história do sujeito.

Comer salada ou comer carne

Comer salada, comer carne ou qualquer outro alimento vai dizer muito a respeito da história de cada pessoa. Em uma cultura pode ser que alguém possa comer todos os alimentos e achar bom. Noutra cultura, ingerir carne já vai ser uma coisa ruim, no entanto, o que realmente precisa ser ressaltado é a caracterização própria de cada indivíduo. A imbecilidade não pode ser o grande jogral que afeta a individualidade da pessoa, a qual carrega dentro de si o ditame de sua história.

O que não pode ser escolha é aquilo que está dentro do próprio indivíduo, ou seja, passar para o outro aquilo que posso fazer ou vou permitir que o outro faça aquilo que é o meu dever. Quer dizer, se eu tenho que abrir uma porta, quem deve abri-la sou eu, mas se essa porta deve abrir-se por si só, significa que tenho o direito de passar por ela. Aí está realmente a vida colocada como em xeque, a vida de cada pessoa.

É um grande barulho que não se permite escutar

Esta vida colocada em cheque é um grande reflexo daquilo que se vive na sociedade; é um grande barulho que não se permite escutar nitidamente cada realidade. Escuta-se um grande barulho quando você começa a particularizar cada um destes ruídos. Daí se entende o que realmente o homem é na sua integridade, na sua grandeza naquilo que ele tem de decência, porque está permeado de tantos ruídos que o afetam trazendo, deste modo, uma grande angústia para dentro de si mesmo.

O que pode angustiar o ser humano na sociedade senão aquilo que ele mesmo cultiva como valores?! Um grande desespero, então, começa a se manifestar no interior do homem deixando-o sem norte, sem rumo, sem foco na sua vida, no seu trabalho. São pessoas que felizmente têm tudo de bom para viver, têm dinheiro, têm casa, têm carro, ou seja, é bem de vida, mas ao mesmo tempo continua angustiado e não consegue viver bem o seu hoje, o seu agora; está sempre olhando para um futuro tão incerto, um futuro que o torna sempre mais angustioso e que consegue machucar seu próprio interior.

Padre Joacir d’Abadia

Não enxerga a grandeza de si mesmo.

Essa angústia interior também pode ser marcada pela falta de amigos ou pelo excesso que se cultiva de amigos porque vivemos e experimentamos isso a cada dia. Vivemos a nossa vida cercada por grandes amigos, mas ao mesmo tempo não temos amigos com quem podemos contar nos momentos mais peculiares que podemos carregar dentro de nós, ou seja, vivemos uma interioridade que ao externá-la, causa também um grande desatino, um grande desacordo com aquilo que cultivamos. Hoje, ter amigos pode trazer também angústias porque é uma amizade distante, não aquela amizade próxima que se possa cativar, aquilo que carregamos dentro de cada um de nós. Então, esse é o fato pelo qual o homem ainda continua na angústia. Ele tem tudo, mas falta ter a si mesmo. Vive em demasia tudo, mas não é capaz de viver sua própria interioridade. Tudo é pequeno para o homem quando ele não enxerga a grandeza de si mesmo.

Padre Joacir d’Abadia

filósofo, autor de 15 livros, Especialista em Docência do Ensino Superior, Bacharel em Teologia e Filosofia, membro de 5 Academias de Letras, Pároco da Paróquia São José Operário Formosa-GO/Diocese de Formosa-GO

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